Dou por mim e divago entre aquilo que fui, o que sou, o que poderei ser ou que devia ter sido. Emaranho os pensamentos soltos entre tudo aquilo que tenho e o que não tenho. Naquilo em que me tornei e no que me quereria tornar. Há dias em que me escorre pelas veias a certeza de que consigo alcançar o mundo, noutros, bate uma melancolia estranha.

E de verdade, isto acontece-nos, ficamos baralhadas com as várias matrioscas que somos e sofremos com a ideia de todas as outras que podíamos ser. Vem o sentimento de culpa, de insatisfação. Diria que tudo isto acontece quando o cansaço chega até nós e se apodera. Sei que ele anda a reinar quando sou só um templo dos lamentos. Então apercebo-me de que preciso de tempo para mim, de valorizar as coisas boas, de agradecer todas as dádivas, as conquistas e olhar para o mapa que já construí até aqui.

Deixar o meu coração saber e sentir que construí coisas bonitas até aqui. Que sou capaz.

Todas nós somos capazes. Por vezes falta-nos apenas uma voz que nos sussurrasse ao ouvido estas certezas. Por isso hoje e amanhã gostava de ser este sussurro que te devolve a esperança que precisas, que te diz e reconhece o esforço que fazes todos os dias. Que se lembra todos os dias de reforçar o quão especial que és. Que diz que ama e que brinca contigo para que te esqueças das coisas menos felizes do teu dia.

Serei também para mim mesma o sussurro que diz que tenho dois filhos lindos, a maior riqueza que preenche-me daquilo que sou, Mãe deles - A missão mais bonita (e dura) que me foi confiada.

Naqueles abraços de braços ainda pequenos, naqueles beijinhos doces e envergonhados, naqueles olhares doces e puros, saberei sempre de onde venho, quem eu sou, até onde quero ir.

Obrigada Filhos lindos, amo-vos imensamente.