Costumo dizer às minhas colegas e amigas de curso (educação de infância) que ser Mãe não tem N-A-D-A a ver com ser educadora.

Estranho?

Claro que sabemos um monte de coisas, e até somos umas máquinas com os filhos dos outros.

Lembro-me em tempos que queria ser uma espécie de Mary Poppins e ajudar Pais com dificuldades na educação e "correção" dos seus filhos, era um desafio que me cativava, e ainda o cheguei a fazer.

Mas, ser Mãe...

Tenho amigas, que pela ordem e naturalidade das coisas vão tendo os seus rebentos... Se tornam Mães.

Elas sabem que passei por todo um mundo de fases especiais e com os seu Q´s, então as conversas são inevitáveis.

Elas não me pedem ajuda concretamente, mas eu consigo ler e perceber, por já lá ter estado, que estão desesperadamente a querer respostas.

Têm uma sede de querer saber, querer afugentar os seus medos, que não há olhos que não brilhem e vozes que não tremam.

Outras, encontram-se como eu estava, numa perfeita "ignorância" meia doida e completamente relaxada para o que aí vinha, que em certa parte, até é boa.

Nunca saberemos, até eles chegarem, o que aí vem. Sim, é uma carta fechada e não vale a pena o erro numero 1:

- "Quando for Mãe, vou fazer assim e assado." Por experiência, é muito bom saber-se como queremos educar os nossos filhos, mas... Não. Não cuspam para o ar, porque pode-vos cair tudo em cima. Check.

O que quero hoje aqui deixar, é uma pequena lista dos conselhos e de coisas simples, que digo a uma amiga, pessoa, ou simplesmente alguém que me procura logo depois de ser Mãe.

Ainda naqueles dias de hospital, com um turbilhão de emoções a acontecerem, a alegria e a tristeza. O amor que já sentimos, ou o vazio que se apodera sem licença.

É aí que calmamente eu digo:

1- Chora, também vale chorar. Porque todas nós nesta altura, achamos que temos que enfiar um sorriso estupido na cara, porque estamos supostamente em modo babação total, mas dói-nos tudo.

Dói o pipi, dói a barriga, dói o rabo e sei lá o que mais.

Dói a canseira, dói a estafa das visitas, dói ver o marido perdido, dóem uma série de coisas que não estávamos preparadas. Nós já somos super-heroínas por tudo o que fizemos até ali chegarmos, por isso agora é hora de deitar cá para fora e se for preciso dar parte fraca, do it. Vais te sentir tão mais aliviada.

Lembro-me de ter aprendido esta lição quando uma amiga num simples telefonema que me fez depois do Manuel nascer me disse: "Vá, deita tudo cá para fora." E foi aí que esvaziei os dias de andar a meter tudo para dentro. Foram muitos minutos de telefone sem diálogo, só explosão e libertação. Obrigada C.

2- Tudo o que fizeres, está certo.

É claro que vamos fazer um monte de coisas ao lado, mas tudo o que fazemos com o coração e alma, está certo. Não há errado no jogo do amor.

E sim, Deus Nosso Senhor fez muito bem as coisas, e fez-nos com um instinto arrebatador, e é por isso mesmo que sem saber como, sabemos!

Por isso, confia no teu instinto querida Mãe :) É o mais certeiro de todos.

3 - Cuidado com a sabedoria dos outros!

Os outros que estão à nossa volta querem (e às vezes desesperadamente) ajudar! Mas outras vezes, querem também apenas ter uma voz, um tom, uma opinião a dar.

Foquem-se em poucas pessoas, em quem confiam mesmo. Mãe geralmente é boa conselheira, irmã também, ou simplesmente alguém com quem vocês tenham confiança e laços para vos ajudar.

Filtrem muito bem o resto, porque no mundo da maternidade TODOS sabem tudo e por isso, inevitavelmente te dirão como fazer, quando fazer e o que fazer. Inevitavelmente vão opinar, comentar, criticar and so on.

4 - Pede ajuda.

Ter medo, estar insegura, ou simplesmente não saber, é OK.

Não somos máquinas, somos Mães que queremos dar o melhor deste mundo e do outro aos nossos filhos, mas muitas vezes não sabemos certas coisas, ou precisamos de ajuda para resolver outras.

Não tem mal nem nunca será vergonha nenhuma pedir por alguém. Aprendam a fazê-lo e considerando o ponto a cima, façam com alguém que sabem que podem contar.

5- Precisas de descansar.

Contra mim falo, que foi o ponto que não soube (nem sei) por em acção, mas é imperativo aprender a confiar e a deixar.

Pensem comigo, se estivermos frescas, seremos muito melhor para eles, para os filhos e para os maridos. E isto é quase que científico, quanto mais cansadas, menos paciência, mais irritação, menos de nós, mais nervos, conclusão, o resultado não será o melhor.

E quanto melhor estivermos só temos mais e mais para dar.

Aprendam a gerir bem o tempo e a confiar nos outros.

Deixem-no com o vosso marido e vão. Simplesmente vão dar uma volta, vão se arranjar, vão dormir, vão apanhar ar, vão...

1hora de ar, de sair sem destino, pode fazer milagres e a cima de tudo vai vos fortalecer.

Pensem no limite que é para o melhor da casa, dos filhos e do Marido, mesmo que ele não queira assim tanto ficar com o baby, façam ver que só vai ser melhor. Mas pelo que vejo, eles percebem isso e até fomentam e aguentam-se muito bem sozinhos.

Dou mais alguns conselhos práticos mas que não insisto muito a não ser que me perguntem especificamente da minha experiência, como por exemplo, não aceitar muitas visitas no hospital até o envio de mensagem para irem a casa, geralmente umas semanas depois, (e esse tema merece outro grande post), entre muitas outras coisas.

Por hoje ficam estes pontos, que apesar de simples, falam ao coração de quem passa por isto.

Espero que gostem e que tenha sido útil.

Até breve e um beijinho,


Carmo / Mu